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19/09/2012

UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados


A Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) desenvolveu alternativas ecológicas para matérias-primas do concreto e de produtos de fibrocimento (como caixas d’água e telhas). Segundo o pesquisador Romildo Toledo, o uso de materiais tradicionais, como o cimento, a brita e o amianto, pode ser reduzido ou até completamente substituído com a utilização de fibras vegetais e materiais reciclados.
No caso do concreto, liga formada por cimento, brita (pedra) e areia, é possível reduzir o consumo de cimento em 20% a 40% com alternativas como cinza de bagaço de cana-de-açúcar, cinza de casca de arroz e resíduos da indústria cerâmica. A brita pode ser completamente substituída por materiais obtidos em demolições de construções antigas.
No caso do fibrocimento, usado na fabricação de telhas ou caixas d’água, o consumo de cimento pode ser reduzido em até 50% com o uso de alternativas ecológicas. As fibras vegetais substituem as fibras minerais tradicionais, como o amianto, que provocam danos à saúde humana. Há estudos com outros materiais como borracha de pneu usado, cinzas de esgoto sanitário ou de queima do lixo para substituir, pelo menos parcialmente, o cimento.
“Alguns tipos de concreto ecológico já estão prontos para serem repassados ao setor produtivo, mas há outros que ainda estão em fase final de desenvolvimento. São soluções que reduzem impacto na construção civil, seja por redução da emissão de gás carbônico, pelo uso de materiais naturais etc. E todas levam a resultados tão bons quanto os materiais tradicionais. Essa é uma preocupação: não ter performance inferior aos que os materiais tradicionais têm. O consumidor não vai sentir problemas de durabilidade, como a casa ou o prédio terem vida útil menor”, disse Toledo.
Segundo a Coppe, a indústria cimenteira responde por 5% a 7% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. A produção atual de cimento corresponde a cerca de 3 bilhões de toneladas por ano, que deve triplicar em 50 anos.
Segundo o pesquisador, as alternativas ecológicas ao concreto têm chamado a atenção de algumas empresas. Na última sexta-feira (14), por exemplo, Toledo apresentou sua pesquisa a representantes de empresas de materiais de construção norte-americanas na Câmara de Comércio Americana (Amcham) do Rio de Janeiro.
Fonte: Agência Brasil
UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados
UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados

Parque boliviano pode ter maior biodiversidade do mundo


Com mais de 90 espécies de morcegos, 50 espécies de cobras, 300 peixes, 12 mil plantas e 11% das espécies de aves do mundo, o Parque Nacional Madidi, na Bolívia, pode ser o lugar com mais biodiversidade do mundo, de acordo com novas pesquisas do Serviço de Parques boliviano (SERNAP) com ajuda da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS).
Localizado no noroeste da Bolívia, o Parque Nacional Madidi cobre 19 mil quilômetros quadrados, uma área um pouco menor do que Israel. Décadas de trabalho de mais de 50 pesquisadores descobriram 1.088 aves só no parque, mais do que todas as espécies de aves em todo os EUA e mais de 200 espécies de mamíferos, incluindo pelo menos seis espécies de felinos e possivelmente duas mais.
“Com quase seis mil metros de diferença de altitude em Madidi, nenhuma outra área protegida captura a diversidade dos habitats sul-americanos, que levam esses números para cima”, explica Robert Wallace, diretor de programa da WCS, em um comunicado à imprensa.
Ainda assim, muito do que poderiam ser os ecossistemas mais biodiversos do parque – florestas montanhosas e nubladas – continua não pesquisado. Florestas nubladas muitas vezes contêm altos níveis de espécies não encontradas em nenhum outro lugar.
“Esse importante resumo enfatiza o quão desconhecidas as florestas nubladas dos Andes tropicais realmente são. Além da importância de sua biodiversidade e vida selvagem, elas são vitais de uma perspectiva da gestão de água e são esteticamente bonitas”, diz Cristián Samper, presidente e CEO da WCS. A maior ameaça a essas florestas montanhosas são as mudanças climáticas, segundo o grupo.
Madidi não é apenas o único parque que foi descrito como concorrente para a maior biodiversidade do mundo. Outras áreas protegidas incluem o Parque Nacional de Manú, no Peru, e o Parque Nacional Yasuní, no Equador. Todos os três, incluindo Madidi, estão localizados na Amazônia ocidental.
O anúncio foi feito no Congresso Mundial de Conservação da IUCN em Jeju, Coreia do Sul.

Crédito das imagens: Mileniusz Spanowicz/WCS.
Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original (inglês)
Fonte: Mongabay
Parque boliviano pode ter maior biodiversidade do mundo
Parque boliviano pode ter maior biodiversidade do mundo

Todo ano, 22 milhões de pássaros morrem no Canadá por atingir janelas


Um estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, estima que 22 milhões de pássaros morram por ano, em média, após colidirem com janelas de casas e prédios em todo o país.
A pesquisa foi feita usando dados coletados com mais de 1,7 mil proprietários de imóveis na região de Edmonton, cidade com quase 1 milhão de habitantes e capital da província onde a universidade está localizada.
O estudo foi publicado no periódico científico “Wildlife Research” desta semana. Por meio de um questionário online aplicado aos habitantes da cidade, os cientistas concluíram que cerca de 300 mil imóveis de Edmonton tiveram algum incidente com pássaros batendo nas janelas ao voarem.
Ao aplicar a informação sobre as casas afetadas à estatística habitacional do Canadá, os pesquisadores chegaram ao número total de mortes de animais por ano – 22 milhões, em média.
Um dos fatores responsáveis pelos incidentes é o costume de alimentar os pássaros. “As pessoas que colocam alimentadores em árvores estão contribuindo para o problema sem saber”, afirmou o pesquisador Erin Bayne no estudo.
Um alimentador que esteja situado de três a quatro metros de uma janela é ruim porque permite que o pássaro adquira velocidade considerável ao sair da árvore em que ele esteja preso, por exemplo.
Bichos como pardais podem colidir facilmente com janelas quando têm à sua disposição um alimentador a essa distância. Os cientistas aconselham as pessoas a colocarem a comida ou mais próxima da janela ou em locais muito mais distantes.
Fonte: G1
Pardal sai para buscar comida para dar aos filhotes
Pardal sai para buscar comida para dar aos filhotes

10/09/2012

Água: Um difícil futuro seco para o planeta


O Planeta está desperdiçando água em uma escala colossal, de acordo com a ONU. Mais de 80% da água utilizada na Terra não é nem coletada nem tratada – o que equivale ao Planeta deixar as torneiras abertas e as pias com o ralo destampado. Essa e outras realidades igualmente preocupantes Foram apresentadas para aproximadamente 35 mil pessoas de 180 países no Fórum Nacional das Águas, uma reunião feita a cada três anos, que já ouviu os mais perturbadores relatos já feitos sobre o estado dos rios, lagos e aquíferos do mundo.
De acordo com um novo estudo apresentado no Fórum na França espera-se que a demanda por água cresça em até 55% nas próximas quatro décadas. O “Framing the Water Reform Challenge”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que a rápida urbanização, as mudanças climáticas e as mudanças na economia global estão colocando cada vez mais pressão no abastecimento de água. Em aproximadamente 40 anos, mais de 40% da população mundial – 3,9 bilhões de pessoas – estarão sujeitas a viver em áreas ribeirinhas sob severo “estresse hídrico”. A ONU alerta que isso também poderá ser sentido em partes da Europa, afetando até 44 milhões de pessoas até 2070.
Anthony Cox, líder do programa realizado pela OCDE disse que o Planeta está passando por uma “crise” de água. Ele adicionou que: “Mais pessoas nas cidades agora não tem acesso a água do que na década de 80. Em países em desenvolvimento, particularmente, há um enorme custo econômico e social nisso”. Desde 1900, mais de 11 milhões de pessoas morreram por causa da seca, de acordo com a ONU, e mais de 2 bilhões foram afetadas por isso – mais do que por qualquer outro risco natural.
A OCDE clama por uma “urgente reforma” no gerenciamento da água e sugere o uso de meios econômicos, como impostos, tarifas e transferências, para encorajar uma maior “eficiência de água”.
Se o mundo pudesse enfrentar os desafios da natureza sem usar tecnologias que desperdicem água, como os biocombustíveis, seria uma grande mudança. A água sustenta todos os aspectos do desenvolvimento; é o único meio pelo qual todas as crises podem ser tratadas em conjunto. Isso deveria ser visto como um elemento explícito em qualquer tomada de decisão.
Um relatório da ONU que recentemente lançado alerta que um crescimento sem precedentes pela demanda de água está ameaçando o desenvolvimento global e exacerbará a desigualdade entre países, áreas e regiões. “Administrando a Água sob Incerteza e Risco” mostra que, enquanto se espera que 86% da população em regiões em desenvolvimento tenham melhor acesso a água própria para consumo até 2015, ainda há aproximadamente 1 bilhão de pessoas sem acesso a isso e, nas cidades, o número tem crescido.
A administração dos recursos hídricos não pode mais ser vista como uma questão local; tem que ser tratada como uma questão global. Água não é só aquilo que usamos para beber, para nos lavar, ou para irrigar; ela também está nos produtos que comemos, consumimos e usamos. Isso nos dá uma perspectiva totalmente diferente em relação à água. Ela é o centro de políticas comerciais, e uma nação, ou uma corporação, podem ter um impacto na falta de água em outro lugar.
O alerta serve de apoio à análise da Royal Academy of Engineering, que descobriu que a Grã-Bretanha e outros países desenvolvidos dependem fortemente da importação de água oculta ou “virtual” de lugares propensos a secas e escassez. Num relatório de 2010, eles estimavam que dois terços de toda a água que a Grã-Bretanha precisa vêm embutidos em comida importada, produtos industrializados e roupas, como algodão. Em 2008, um estudo publicado pelo WWF descobriu que 60% do rastro de água da Grã-Bretanha é sentido fora do Reino Unido. Ashok Chapagain, consultor sênior da WWF para questões de água, disse: “A escassez de água afeta pelo menos 2,7 milhões de pessoas em 201 bacias fluviais pelo menos um mês por ano. O comércio internacional e a globalização da cadeia de fornecimento fazem com que a escassez de água seja uma questão global”.
Entretanto, não se espera que a necessidade diminua. Cada vez mais, recursos hídricos subterrâneos têm sido explorados para atender à crescente demanda e, sob o que o Relatório da ONU chamou de uma “revolução silenciosa”, esse processo triplicou nos últimos 50 anos. A aquisição transnacional de regiões em que países adquirem terras fora de sua jurisdição para ter acesso à água, aumentou de forma alarmante nos últimos anos.
* Olcay Unver é coordenador do Programa Mundial de Avaliação da Água, da ONU.
Fonte: Eco21
Água: Um difícil futuro seco para o planeta
Água: Um difícil futuro seco para o planeta

A máfia do lixo


Editais mal formulados de licitação, falta de transparência e fiscalização deficiente compõem o cenário que tornou o lixo – não apenas no Brasil, mas em boa parte do mundo – um chamariz de corruptos.
Lixo é assunto de prefeito. É dele a responsabilidade pelo sistema de coleta, transporte e destinação final dos resíduos. Invariavelmente os prefeitos recorrem a serviços terceirizados para cumprir essas funções. Editais mal formulados de licitação, falta de transparência e fiscalização deficiente compõem o cenário que tornou o lixo – não apenas no Brasil, mas em boa parte do mundo – um chamariz de corruptos.
O mercado se baseia no peso do lixo. Cobra-se pela tonelada de resíduo transportada de caminhão (as empresas do setor são remuneradas com base em estimativas de carga nem sempre precisas) e pela tonelada de resíduo que dá entrada em aterros sanitários (onde balanças rodoviárias deveriam aferir o peso e cobrar pelo descarte). Para cada tipo de resíduo há um valor específico, dependendo da periculosidade da carga. O custo da tonelada de resíduos industriais perigosos, por exemplo, pode chegar a mil reais, enquanto o lixo domiciliar flutua numa faixa de quarenta reais.
Não é difícil imaginar porque a maioria dos prefeitos no Brasil – sem o amparo de uma boa assessoria técnica – ainda destinem seus resíduos em vazadouros clandestinos. Invariavelmente eles herdam o problema de seus antecessores, temem os custos inerentes a destinação correta dos resíduos, e mantém a rotina criminosa de descartar o lixo em lugar impróprio alugando o serviço de uma empresa de transportes pelo preço médio de cinco reais a tonelada. Há também a presunção de que cuidar bem do lixo não dá voto, além do risco de não conseguir resolver o problema até o fim do mandato. Em resumo: melhor deixar tudo como está, ainda que uma nova Lei Federal – a Política Nacional de Resíduos Sólidos – estabeleça o prazo limite de 2014 para a existência de lixões em território nacional.
É preciso deixar claro que todas as ações em favor da destinação inteligente dos resíduos (reciclagem do lixo seco, compostagem do lixo úmido, reaproveitamento de entulho, produção de energia, etc.) encontra forte resistência de prefeitos mal informados, incompetentes ou que agem de má fé por obterem alguma recompensa ilícita despejando o lixo em vazadouros. Estes encontram o apoio de empresários que se locupletam das estimativas grosseiras – invariavelmente arredondadas para cima – do peso de lixo que levarão em seus caminhões sabe lá Deus pra onde.
Ainda que o município disponha de um aterro sanitário – ou tenha a opção de descartar o lixo num depósito credenciado no município vizinho – pode-se coletar o material e evitar a cobrança feita pelo aterro (os recursos ajudam a cobrir os custos do tratamento dos gases e do chorume, além do manejo adequado dos resíduos) despejando em outro lugar qualquer onde ninguém flagre o lançamento e nem cobre por isso. A situação é particularmente grave quando se trata dos “Resíduos Classe 1″, também chamados de resíduos perigosos, por terem as seguintes características definidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) : “inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade”. Lixo hospitalar e resíduos industriais, por exemplo, se enquadram nessa categoria.
Por razões óbvias, tanto o transporte quanto a destinação final desse lixo perigoso determinam cuidados especiais e custos elevados, razão pela qual a tentação de não seguir a risca o que determina a lei para economizar uns trocados é gigantesca. Como o Brasil é um país continental, há muitas rotas de fuga para despejar esses resíduos em lugares inadequados, com enormes riscos à saúde humana e ao meio ambiente. É expressiva a quantidade de áreas contaminadas nas cercanias das zonas industrias do Brasil. A Rede Latino Americana de Prevenção e Gestão de Sítios Contaminados (Relasc) disponibiliza farto material a respeito no site da entidade http://www.relasc.org. Apenas no Estado de São Paulo existem 2.272 áreas comprovadamente contaminadas.
Esse problema não seria tão preocupante se houvesse vontade política para fiscalizar caminhões e carretas e cobrar dos respectivos motoristas o “manifesto de resíduos”, uma declaração exigida por lei que especifica origem, destino e classificação do lixo transportado. Cabe aos órgãos ambientais estaduais a devida fiscalização desses materiais. Mas, aqui entre nós, alguém parece preocupado com isso? E os seus candidatos a prefeito e a vereador? Qual a posição deles sobre tudo isso? Em tempo de eleições municipais, convém prestar atenção de que lado eles estão. Esse é o tipo de assunto sobre o qual não dá para ficar em cima do muro. Quem está a favor da máfia do lixo, está contra você e a sua cidade.
* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.
Fonte: Mundo Sustentável
A máfia do lixo
A máfia do lixo

Brasil ganha duas reservas particulares de Recursos Naturais


O presidente do Instituto Chico Mendes, Roberto Vizentin, assinou hoje (05) portaria que cria mais duas reservas particulares de Patrimônio Natural (RPPN) em evento de comemoração aos cinco anos do instituto.
As RPPNs são unidades de conservação e de uso sustentável da biodiversidade que também se transformar em fonte de renda para seus proprietários, pois podem ser abertas à visitação pública controlada, com finalidades educacionais, científicas ou simplesmente de lazer.
O Brasil tem 602 RPPNs, somando 480 mil hectares de área particular preservada. Vizentin acha fundamental essa parceria com a iniciativa privada, mas acredita que o país ainda precisa avançar muito nessa área e reconhece que ainda são poucos os incentivos para um cidadão transformar suas terras em área de preservação.
“Neste país se dá incentivo para tudo, mas quando se trata de incentivo para conservação, para o uso sustentável dos recursos naturais, [os incentivos] são muito mais escassos. Acredito que a sociedade e o Congresso devem discutir uma reforma tributária voltada para esta finalidade, para desonerar os setores que queiram implementar estratégias produtivas baseadas na sustentabilidade e na biodiversidade brasileira”, disse o presidente.
No mesmo evento, a ministra Izabella Teixeira fez um balanço das ações do instituto. Ela acredita que houve avanços importantes na criação de áreas protegidas, nas maneiras de fiscalizar e nas novas estratégias de combater queimadas e incêndios florestais, porém ela reconhece que é insustentável o Brasil ainda não ter um plano de regularização fundiária. A ministra diz que até o final do ano espera ter uma proposta para debater com a sociedade brasileira.
Izabella Teixeira acrescentou que pretende ampliar o acesso da população às reservas ambientais. “Só preserva quem conhece”, disse.
Fonte: Agência Brasil
Brasil ganha duas reservas particulares de Recursos Naturais

Ordem e Progresso: o positivismo brasileiro e o regresso ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


O dia 7 de setembro é uma data cívica nacional em que ganha destaque a Bandeira Brasileira tremulando no topo dos mastros em todo o território nacional. Mas também pode ser um momento de reflexão sobre a inscrição cravada no “verde-louro desta flâmula”.
O lema “Ordem e Progresso” foi inscrito na bandeira nacional por influência dos positivistas. Este binômio foi inspirado no lema do sociólogo francês Auguste Comte (1798-1857), considerado o pai do positivismo: “Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta”.
O progresso era uma idéia em moda no século XIX e a Europa era uma referência para o mundo na medida em que conquistava territórios e vendia seus produtos modernos. Inspirados na ideologia européia, os positivistas brasileiros tiveram papel de destaque na Proclamação da República, em 1889.
Naquela época, o Brasil era um país pouco povoado, rural, agrário e com pouca integração entre suas diversas regiões. Desta forma, não é de se estranhar que o progresso estivesse relacionado ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico, à dominação da natureza e à grandeza da Pátria. Não havia preocupação com as questões ambientais e a defesa da biodiversidade.
O presidente do Brasil, Afonso Pena (1906-1909), dizia que “Governar é povoar”. Já Washington Luis (1926-1930), ampliando esta concepção, dizia que “Governar é abrir estradas”. A frase completa do último presidente da República Velha, dando ênfase à ocupação do território, é: “Governar é povoar; mas, não se povoa sem se abrir estradas, e de todas as espécies; Governar é, pois, fazer estradas”.
O Presidente Getulio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) chegou ao poder prometendo redirecionar o desenvolvimento brasileiro para o mercado interno e para o interior. Ele apoiou a familia extensa, o crescimento populacional e a migração para o Oeste. Os trabalhadores assalariados da CLT foram premiados com um “salário família” a título de estimular uma prole numerosa. No governo Vargas foram implantadas políticas sociais que, de forma intencional ou não, tinham objetivos pró-natalistas.
Mas além da política positivista voltada para o crescimento populacional, na era Vargas houve uma legislação claramente anti-controlista, por exemplo: a) o Decreto Federal n. 20.291, de 11 de janeiro de 1932 estabelecia “É vedado ao médico dar-se à prática que tenha por fim impedir a concepção ou interromper a gestação”; b) a Constituição de 1937 em seu artigo 124 diz: “A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado. As famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção de seus encargos”; c) em 1941, durante o Estado Novo, foi sancionada a Lei das Contravenções Penais que em seu artigo 20 proibia: “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar o aborto ou evitar a gravidez”.
A maior obra do presidente pós Segunda Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), foi a construção da Via Dutra (BR 116), inaugurada em 19 de janeiro de 1951 ligando as duas maiores cidades do Brasil. Após o segundo governo Vargas, foi eleito o Presidente Juscelino Kubitschek que tinha como lema central a bandeira: “50 anos em 5”. Ele prometia acelerar a modernização do país, construindo hidrelétricas, industria de base, automóveis, bens de consumo em geral e, principalmente, a construção de Brasília e a conquista do Cerrado. Os governantes brasileiros sempre consideraram a natureza uma fonte inesgotável de riquezas que devereriam se exploradas e seguiram a visão cornucopiana de Pero Vaz de Caminha: “Aqui, nesta terra, em se plantando, tudo dá.”
Os militares, que tomaram o poder em 1964, estavam na linha de frente da exploração desenfreada do meio ambiente e da política populacional expansionista do “Brasil potência”. Mesmo com as precárias condições de vida e a falta de investimentos no bem-estar qualitativo da população, os primeiros governos militares adotaram uma política pró-natalista, como mostrou Canesqui: “A doutrina da Segurança Nacional, adotada pelo regime militar no período 1964-1970, assegurou a posição natalista, incluindo expectativas quanto ao crescimento demográfico e o preenchimento dos espaços vazios de regiões a serem colonizadas (Amazonas e Planalto Central). Esta preocupação ficou bastante clara no Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968-1970) do governo Costa e Silva. Este mesmo governo reafirmou suas convicções natalistas face ao desenvolvimento e à segurança, em mensagem dirigida ao Papa Paulo VI, por ocasião da publicação da Encíclica Humanae Vitae (1968) de forma a não contrariar a posição oficial da Igreja Católica, diante da política controlista da natalidade”.
Seguindo a linha dos governos autoritários, o general linha dura e Presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985) chegou a estabelecer a seguinte orientação para o processo de ocupação territorial: “Levar os homens sem terra à terra sem homens“. Na Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972, o General Costa Cavalcante, Ministro do Interior e representando o governo, proferiu o seguinte discurso: “Para a maioria da população mundial, a melhoria de condições é muito mais uma questão de mitigar a pobreza, dispor de mais alimentos, melhorar vestimentas, habitação, assistência médica e emprego, do que ver reduzida a poluição atmosférica“
Após o processo de redemocratização, os governos Sarney, Collor, Itamar e FHC pouco fizeram para reverter a degradação ambiental e redirecionar o processo de desenvolvimento do país. Da mesma forma, os governos Lula e Dilma vão na mesma linha desenvolvimentista e de incentivo aos grandes projetos, como o pré-sal, a transposição do rio São Francisco, as hidrelétricas na Amazônia e a venda de commodities do agronegócio e dos agrotóxicos, assim como de produtos minerais altamente poluidores (ferro, bauxita, nióbio, ouro e outros metais). O uso do mercúrio e do cianeto na separação e limpeza da exploração mineral transforma o garimpo de ouro, por exemplo, em uma das atividades mais poluidoras, tendo como consequência a contaminação de peixes e animais silvestres o que afeta, inclusive, a saúde humana.
A ideologia positivista do desenvolvimentismo a qualquer custo virou quase uma religião, assim como a idéia pretensamente científica do positivismo chegou a se tornar uma seita. Auguste Comte, de maneira incoerente com sua filosofia, chegou a instituir uma Religião Positivista da Humanidade glorificando sua amada Clotilde de Vaux. No Brasil foi fundada uma igreja positivista, cuja sede está localizada na rua Benjamim Constant, Glória, Rio de Janeiro. Mas tanto a ideologia de Comte, quanto a igreja positivista encontram-se, atualmente, em decadência.
Como Roberto Malvezzi, o Gogó, reafirmou em artigo recente, há uma percepção que uma era de construções políticas e sociais está se esgotando no Brasil: “As mudanças estruturais não acontecem. A reforma agrária, a reforma profunda na educação, na saúde, caminha a passos lentos, quando não inexistentes. Para piorar, um conceito de desenvolvimento predador e antisocial tem invadido os territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais, assim como santuários ecológicos a semelhança do Xingu, que nos faz olhar de forma crítica os novos desdobramentos dessa política comandada por gente que até ontem falava em nome dos mais pobres, excluídos e indefesos. Mudam os governos, não mudam as políticas fundamentais que as elites chamam de políticas de Estado”.
Evidentemente a idéia de progresso tal como aconteceu no país tem sido questionada por muitas pessoas e diversos movimentos populares. Por exemplo, em entrevista recente à Revista época (04/06/2012), Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu, fez várias críticas sobre a forma como o progresso brasileiro possibilitou o aumento do genocídio dos índios e ecocídio das espécies vivas do Cerrado e da floresta amazônica. Dom Erwin, que acolheu e depois enterrou a missionária assassinada Dorothy Stang, vive na mira de pistoleiros, mas continua lutando em defesa dos mais pobres, dos mais frágeis, dos indígenas, dos ribeirinhos e dos extrativistas da Amazônia.
Seguindo este exemplo e no sentido de superar as heranças negativas do positivismo, o Brasil precisa mudar sua concepção de progresso econômico que tem resultado em regresso ambiental e exclusão social. A data de 7 de setembro é uma oportunidade para escutar o Grito dos Excluídos (humanos e não-humanos) e repensar os rumos da nação. Para que o país possa reorientar seu modelo de desenvolvimento é preciso articular de maneira integrada as três bases da sustentabilidade: a justiça social, a inclusão econômica e a responsabilidade ambiental.
Fonte: Eco Debate
Ordem e Progresso: o positivismo brasileiro e o regresso ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves