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10/09/2012

Comer em 2030 pode ficar caro


Se nada for feito para reduzir as emissões dos gases efeito estufa e mitigar as mudanças climáticas, os preços de alimentos básicos no mercado internacional podem dobrar nos próximos 20 anos, advertiu a ONG britânica Oxfam. Em um novo estudo, intitulado Clima extremo, preços extremos: o custo de alimentar um mundo em aquecimento*, a organização não governamental sustenta que os efeitos de aquecimento global sobre a produção agrícola é “subestimada” pelos governos mundiais, que ignoram as consequências nefastas de fenômenos rigorosos, como estiagens e enchentes, sobre o preço das commodities que estão na base da indústria alimentícia, caso do milho, trigo e arroz.
“Como demonstra a seca que castiga os EUA, eventos climáticos extremos são traduzidos em preços de alimentos extremamente altos”, diz o texto. A estiagem severa afetou a produção das lavouras do país, maior produtor de grãos do mundo, que levou ao aumento de 10% no preço global dosalimentos, segundo a FAO. A situação é de alerta. Recentemente, a agência para alimentação da ONU, alertou que os líderes globais precisam realizar uma rápida ação coordenada para garantir que os choques de preços não se transformem em uma catástrofe que afete dezenas de milhares de pessoas nos próximos meses.
No longo prazo, a situação também preocupa. Segundo a Oxfam, a escalada dos preços dos alimentos é uma questão de vida e morte para as populações que vivem em países em desenvolvimento e que gastam até 75% de sua renda para conseguir comer. “Quando tenho fome, faço um caldo para mim e para meus filhos. Se não for possível, bebemos água e vamos dormir”, disse à ONG, Adjitti Mahamat, um morador de Chade, país africano onde 3,6 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar devido à pobreza crônica e à seca, que, em cinco anos, fez o preço dos alimentos aumentarem de 30 a 60%. Para os mais vulneráveis, os aumentos extremos e repentinos nos preços podem ser mais devastadores do que a elevação gradual no longo prazo, o que lhes daria mais tempo e opções para se adaptar, salienta o estudo.
“E SE…”
A pesquisa da Oxfam desenvolve várias hipóteses sobre o impacto de eventos climáticos extremos em 2030 em cada uma das principais regiões exportadoras de arroz, milho e trigo no mundo. Confira a seguir algumas hipóteses levantadas
1 – Crise na América do Norte
Uma seca na América do Norte, semelhante em magnitude à seca histórica de 1988, a pior já registrada no país até agora, poderia aumentar os preços de exportação de milho no mercado mundial em 140% e do trigo em 33% até 2030. “Estima-se que em 20 anos, 57% das exportações de trigo mundial e 44% do milho virão da América do Norte. Uma crise desta magnitude no ‘celeiro do mundo’ poderia prejudicar países em desenvolvimento”, diz o estudo.
Segundo as projeções, os preços do milho e do trigo no mercado interno da China poderiam aumentar, respectivamente, 76% e 55%. Já na América Central e do Sul, os mesmo alimentos poderiam subir 80% e 55%.
2 – Crise na África
De acordo com a Oxfam, em 2030, mais de 95% do milho e outros grãos consumidos na África sub-saariana deverão ter como origem a própria região. “É provável que as crises locais causadas por eventos climáticos extremos podem ter efeitos devastadores sobre a produção, os preços e, em última instância, os níveis de consumo”, diz o estudo. A ocorrência de uma grave seca na região, com uma magnitude semelhante a que ocorreu em 1992 (que levou a pior safra de milho), aumentaria o preço médio de consumo do milho e outros cereais secundários em 50%.
3 – Crise na Índia e Sudeste Asiático
A ocorrência simultânea de colheitas ruins na Índia e no Sudeste Asiático poderia ter um impacto grande no processamento de arroz, aumentando o seu preço médio de exportação no mercado mundial em 25% no ano de 2030. Para estimar essa quedas na produção, a Oxfam considerou como base a seca extrema que atingiu toda a Índia em 1979 e as inundações que castigaram em massa o Sudeste asiático em 1980. De acordo com o modelo, uma crise simultânea na Índia e no Sudeste Asiático em daqui a 20 anos poderia significar um aumento de 43% no preço do arroz no mercado nacional da Nigéria, atualmente o país mais populoso da África.
FORTIFICANDO O SISTEMA
Ainda de acordo com a ONG, essa pesquisa representa uma tentativa de analisar como eventos climáticos extremos podem afetar os preços dos alimentos, se medidas urgentes não forem tomadas para reduzir as emissões. No entanto, ressalva a Oxfam, nenhum dos cenários apresentados é inevitável. “Está em nossas mãos a possibilidade de mudar e fortalecer o nosso sistema alimentar, especialmente para consumidores e produtores mais pobres”.
Reverter décadas de falta de investimento na agricultura sustentável e resiliente nos países em desenvolvimento pode aumentar a produtividade regional e ajudar a garantir alimentos ao aumento da população. Outra frente de ação, segundo o estudo, é preparar as comunidade mais carentes a lidar com desastres extremos, a fim de reduzir a vulnerabilidade das pessoas e desenvolver a sua resistência a esses eventos. E, caso o pior aconteça, “esforços mundiais e regionais coordenados poderiam ajudar os mais vulneráveis a lidar com crises recorrentes”.
Fonte: Planetasustentavel
Comer em 2030 pode ficar caro

03/09/2012

Feitos para não durar


NFOGRÁFICO – A CORRIDA PARA O LIXO
Quanto tempo produtos durariam se não fossem trocados ao parecer obsoletos?

NEM VALE CONSERTAR

Eletroportáteis ficaram tão baratos que o conserto pode sair mais caro do que um novo.

PARA SABER MAIS  Made to Break: Technology and Obsolescence in America  Giles Slade, Harvard University Press, 2006.   Fontes: Adriana Marotti de Mello, professora da FEA-USP; Neil Maycroft, Consumption, planned obsolescence and waste; Rafael Lamardo, professor de Tecnologia da Informação da ESPM; Renato Giacomini, coordenador do curso de Engenharia Elétrica da FEI; Vera Rita de Mello Ferreira, representante no Brasil da International Association for Research in Economic Psychology; National Association of Home Builders; Bic; livestrong.org; Inmetro; Companhia das Letras.
PARA SABER MAIS
Made to Break: Technology and Obsolescence in America
Giles Slade, Harvard University Press, 2006.
Fontes: Adriana Marotti de Mello, professora da FEA-USP; Neil Maycroft, Consumption, planned obsolescence and waste; Rafael Lamardo, professor de Tecnologia da Informação da ESPM; Renato Giacomini, coordenador do curso de Engenharia Elétrica da FEI; Vera Rita de Mello Ferreira, representante no Brasil da International Association for Research in Economic Psychology; National Association of Home Builders; Bic; livestrong.org; Inmetro; Companhia das Letras.

Fonte: Planeta Sustentável

Lojas de contêineres viram tendência no Brasil


Habitações, lojas e restaurantes feitos de contêineres. Até 2005, esses “itens” eram encontrados apenas em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Austrália e na Europa, mas agora já podem ser vistos em várias cidades do Brasil.
Por muitos anos utilizados com a única finalidade de armazenamento no transporte de mercadorias, os contêineres, que depois de 10 anos costumam ser descartados, ganharam novas funcionalidades, graças a características como força, durabilidade, mobilidade, além de serem modulares, abundantes e relativamente baratos.
foto-andre-capa-1.jpgNo Brasil, a nova arquitetura é recente, mas aos poucos ganha espaço. O empresário gaúcho André Krai é um exemplo de que a utilização comercial dos contêineres pode dar certo. Para ele, a ideia surgiu meio que sem querer, a partir da necessidade de criar um negócio.
Com vontade em investir em uma rede própria de lojas de roupa, André se deparou com os altos preços de aluguéis e condomínios, o que o fez guardar a ideia na “gaveta”. O sonho só foi possível após uma viagem a Cingapura, onde conheceu uma loja móvel instalada em uma caixa de metal que lembrava um contêiner. Ele conta que achou a ideia sensacional e, quando voltou para o Brasil, viu na grande quantidade de contêineres abandonados nos postos a matéria-prima ideal para as suas lojas.
“É uma estrutura inteligente, barata, ecologicamente correta, sustentável e principalmente versátil, que pode fazer qualquer coisa”, destaca André, lembrando que a escolha foi o maior acerto que já fez na vida. “Pouca gente acreditava que ia dá certo, porque o contêiner tem uma estrutura feia, bruta e transformar em uma estrutura delicada, bonita e confortável, foi meio que um desafio.”
Atualmente proprietário da franquia Container Ecology Store, o empresário já possui 75 lojas em praticamente todos os estados do país (menos em Piauí e Acre) e algumas no exterior, principalmente na Espanha.
Além das qualidades intrínsecas dos contêineres, a edificação das lojas utiliza também materiais reciclados internos e externos, tais como araras que são feitas de corrimão de ônibus, decks de casca de arroz, prateleiras de madeira legal, cadeira de latão, entre outros.
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No interior também são utilizados materiais reciclados
Para quem adquiriu à franquia, a escolha não trouxe arrependimentos. Paulo Falcão, proprietário de uma loja contêiner em São Luiz, capital do Maranhão, contou que o empreendimento é um sucesso e que está sendo muito bem aceito pela população local. “A loja contêiner é um modelo ecologicamente correto, além de ser uma ideia inovadora, o que atrai bastante o público”, enumera Falcão.
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A loja localizada em São Luiz no Maranhão teve grande aceitação do público segundo o proprietário
A loja em São Luiz é composta por três contêineres e fica localizada em um estacionamento situado em uma avenida comercial. Segundo o proprietário, o espaço é confortável, organizado e isolado termicamente.
“
A loja contêiner é um modelo ecologicamente correto, além de ser uma ideia inovadora, o que atrai bastante o público”
Paulo Falcão, proprietário de uma loja contêiner
Na opinião de André Krai, o Brasil já despertou para a reutilização de contêineres, mais ainda tem um longo caminho pela frente, já que ainda tem problemas que dificultam a instalação desse tipo de negócio, a exemplo da burocracia, tida por ele, como um dos maiores entraves.
Outro problema apontado pelo empreendedor é a impossibilidade de instalação das lojas em determinados locais, a exemplo das praias. Ele explica que sua loja em Ibiza, na Espanha, fica na praia, o que aqui no Brasil não pode ser feito – essas áreas são consideradas “terrenos de marinha” e pertencem à União Federal.
Para a arquiteta Livia Ferraro, que desenvolveu o Contêiner Habitat, um projeto de casa sustentável, junto ao crescimento do conceito contêiner está o encarecimento do material. “Já foi mais fácil comprar um contêiner. Hoje em dia, devido ao aumento da procura, os contêineres têm ficado mais caros”, pondera.
Ela esclarece ainda que um dos fatores que encarecem a estrutura é o fato de ela ser importada (normalmente produzida na China) e que para permanecer no Brasil deve pagar taxa de importação, a chamada nacionalização, quase dobrando o valor.
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As lojas possuem sistema de ar-condicionado para deixar o clima agradável
No entanto, mesmo com alguns obstáculos, os profissionais que investem no ramo acreditam que os benefícios superam os entraves. “Hoje o contêiner é um projeto de vida, nem mais um negócio”, ressalta André Krai.
Fonte: EcoD
Os contêineres descartados, utilizados para as lojas, costumam ter 20 anos de uso Fotos: Divulgação
Os contêineres descartados, utilizados para as lojas, costumam ter 20 anos de uso Fotos: Divulgação

Agrotóxicos proibidos continuam em uso nas lavouras brasileiras


Localizado no coração da América do Sul, o Pantanal Mato-grossense é visto como uma região peculiar não só pelas suas belezas naturais como também pelo papel que desempenha na conservação da biodiversidade. Reconhecido como Reserva da Biosfera em 2000, a maior planície alagada do mundo começa a emitir sinais preocupantes. Pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso e da Embrapa Pantanal detectaram resíduos de pesticidas, ainda que em pequena quantidade, no leito de rios, córregos, fundo de cachoeiras e lagoas no curso das águas, desde nascentes no Mato Grosso até o Pantanal Mato-grossence.Reconhecido como celeiro do mundo, terra onde se plantando, tudo dá, o Brasil vem travando uma guerra surda contra o uso indiscriminado de agrotóxico nas lavouras. Maior produtor de grãos do país, o Mato Grosso se tornou epicentro do conflito entre a produção em larga escala e o uso cada vez maior de venenos para conter as pragas. O estado lidera o consumo nacional de pesticidas. Absorve 18,9% do total usado no Brasil — país líder mundial no uso de agrotóxicos. Em 2011, o faturamento das fabricantes alcançou R$ 8,488 bilhões.
Na safra 2010/2011, as lavouras nacionais usaram 936 mil toneladas de agrotóxicos. Foram 12 litros de veneno por hectare de soja, 23 litros por hectare de cítricos, 28 litros por hectare de algodão, 6 litros por hectare de milho. O problema é que, assim como elimina lagartas e pulgões, os venenos ameaçam a saúde humana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem tentando desde 2008 normatizar o uso de agrotóxico no país: 14 produtos foram colocados em processo de revisão. Outros cinco foram colocados na lista suja e tirados de circulação. Só que a ordem nem sempre é cumprida à risca, deixando rastros pelo caminho.
Um dos produtos proibidos é o metamidofós, que foi criado para combater pragas em lavouras de algodão, soja, feijão, tomate, batata e amendoim. O produto elimina cigarrinha verde do feijão, percevejo da soja e broca de tomate. Mas também afeta os sistemas nervoso, imunológico, reprodutor e endócrino, além de prejudicar o desenvolvimento de embriões e fetos. Seu uso é vetado na União Europeia, China, Indonésia, Costa do Marfim, Japão e Paquistão. No Brasil, a Anvisa deu prazo até junho passado para que deixasse de ser usado nas lavouras. Apesar da proibição, restos do produto foram encontrados há duas semanas pela reportagem de O GLOBO AMANHÃ próximos a uma lavoura de feijão em Campo Verde, no Mato Grosso, município que ostenta o título de quinto maior PIB agrícola do país.
— Veneno, como o próprio nome diz, é feito para matar. A linha entre matar a erva daninha e a saúde das pessoas é tênue. O crescimento do uso de agrotóxico é muito maior do que imaginávamos e o país não pode abrir mão do direito de restringir o uso ou banir — afirma José Agenor Álvares, diretor de controle e monitoramento sanitário da Anvisa.
O uso indiscriminado de agrotóxicos já preocupa o Ministério da Agricultura, que tem buscado incentivar o uso de feromônios e produtos biológicos. Os produtos menos agressivos à saúde humana, porém, ainda são pouco diante do tamanho do mercado. Há no país 1.537 marcas de produtos químicos tradicionais e apenas 72 desta nova safra de defensivos biológicos.
— O Brasil é a única potência agrícola tropical do mundo. Consome muito agrotóxico porque aqui não há entressafra e as culturas podem ser plantadas o ano todo ou intercaladas. As pragas têm comida o ano inteiro e todo ano aparece uma nova ou reaparece uma que já havia sido combatida em safras anteriores — explica Luís Eduardo Rangel, do Ministério da Agricultura.
Segundo dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), dos 50 produtos mais usados nas lavouras do país 22 já são proibidos nos países da União Europeia. O próximo a sair do mercado por aqui, em julho de 2013, será o endossulfam, que tem sua venda proibida em 62 países.
— Vendemos remédio para plantas. O produtor cuida delas como cuida de um filho. Para infelicidade do país, a ferrugem asiática atingiu a soja e faturamos só com fungicida da soja R$ 1,3 bilhão — diz Eduardo Daher, diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que reúne os fabricantes do setor.
Nos últimos 20 anos, o Brasil aumentou em 37% a área cultivada e a produção cresceu 181%. Só de grãos, são 52 milhões de hectares. A alta rentabilidade dos agrotóxicos criou um mercado paralelo. A Polícia Federal de Rondonópolis (MT) detectou que traficantes de drogas migraram para o contrabando de venenos, crime rentável e com pena mais branda. Em março, 21 pessoas foram presas por contrabando e falsificação de agrotóxicos em três estados. A operação foi batizada de São Lourenço, numa referência à contaminação do rio que atravessa 25 municípios da região.
Veneno no campo
Na água, os resíduos de agrotóxicos se espalham. Na nascente do Rio São Lourenço, que brota em meio a pés de algodão numa propriedade particular no município de Campo Verde (MT), a 130 quilômetros de Cuiabá, pesquisadores da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) coletaram resíduos de agrotóxicos em águas superficiais e no sedimento. Em torno da nascente, que deságua no Rio Cuiabá, cuja foz é o Rio Paraguai, na Bacia do Prata, há pouca vegetação, o que a deixa quase desprotegida. Outro rio contaminado é o Rio Casca, no limite entre Campo Verde e o município de Chapada dos Guimarães, onde está o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.
Não há pesquisas nas águas dentro do parque, mas um relatório sobre a situação da Cachoeira da Martinha, que fica no Rio da Casca e é um dos pontos turísticos do município, feito a pedido da Promotoria de Justiça de Chapada dos Guimarães, informa contaminação por agrotóxicos e relatos de coceira na pele de banhistas. No curso das águas, os resíduos estão presentes em nascentes do Mato Grosso até a Bacia do Rio Miranda, que fica no Mato Grosso do Sul.
— Coletamos amostras no sedimento dos rios que formam o Pantanal, do planalto à planície. Não achamos concentrações elevadas, mas contaminação contínua, que afeta de forma crônica o meio ambiente, ameaça os peixes e os organismos dos quais eles se alimentam — afirma Débora Calheiros, pesquisadora em ecologia de rios da Embrapa Pantanal e professora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
Em Campo Verde, agrotóxicos foram encontrados nas águas da chuva, poços, rios e córregos. Até ser proibido, o metamidofós era o terceiro pesticida mais usado. Estudos do Departamento de Saúde Coletiva da UFMT, em parceria com pesquisadores da Fiocruz, indicam que sete em cada dez poços de água do município apresentam resíduos de agrotóxicos. Em 16 amostras de água de córregos e rios coletadas em quatro pontos foram achados resíduos dos venenos atrazina e endossulfam. Na água da chuva foram identificados marcas de oito agrotóxicos diferentes.
— Se a água está doente, vamos ficar doentes. Se a água está contaminada, vai contaminar alimentos — resume o professor Wanderley Pignati, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, autor e orientador de algumas pesquisas na área.
Ao analisarem sapos capturados em dois córregos do município de Lucas do Rio Verde, outro grande produtor do Mato Grosso, pesquisadores da UFMT detectaram resíduos de endossulfam e atrazina no sangue de 35% dos sapos e 50% das rãs. No laboratório, identificaram anomalias congênitas em 10% dos sapos, como ossos incompletos e fusão de falanges.
Os estudos levaram o promotor Marcelo dos Santos Alves Corrêa, do Ministério Público do Mato Grosso, a negociar com produtores e com a prefeitura de Campo Verde um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para disciplinar o uso dos pesticidas. Só o algodão, que ocupa boa parte dos 350 mil hectares plantados no município, necessita de 19 aplicações de veneno nos 180 dias de plantio.
— Acham que sou um Dom Quixote querendo acabar com a economia do município — diz Corrêa, que vai ingressar com ação civil pública para ver cumprido o acordo.
O prefeito de Campo Verde, Dimorvan Brescancim, admite a existência de resíduos de agrotóxicos nas águas, mas argumenta, que eles estão dentro dos limites previstos na legislação brasileira e só são alarmantes se comparados aos dados da União Europeia.
— É preciso uma transição entre a lei e o cumprimento perfeito dela. Se for duro, as empresas quebram.
Segundo a Andef, o Brasil não tem legislação específica para a presença de agroquímicos nas águas.
— É preciso elaborar legislação neste aspecto — diz o engenheiro agrônomo Guilherme Luiz Guimarães, gerente técnico e de regulamentação federal da Andef.
* Enviada especial a Campo Verde (MT)
Fonte: O Globo
Uso de agrotóxico em lavouras de Campo Verde Marcos Alves
Uso de agrotóxico em lavouras de Campo Verde Marcos Alves

Dez dicas de como usar a internet em prol da sustentabilidade


Cada dia mais acessível, a internet já é parte vital da rotina nas grandes cidades. Mas além dos sites de notícia, dos jogos online e das redes sociais, essa ferramenta do mundo moderno pode ser uma grande aliada da sustentabilidade. Pensando nisso, o Portal EcoDesenvolvimento.org listou dez dicas simples de como utilizar a internet em prol do desenvolvimento sustentável.
Faça supermercado
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Foto: Sxc.hu
Muitas redes de supermercados já dispõem de serviços de compras pela internet. Se o seu já tiver, use-o. Além de seguro, o serviço poupa combustível (já que a entrega normalmente é sincronizada e feita de uma vez só, por um único veículo), tempo, dinheiro e estresse.
Apenas evite pedir produtos com entrega para o dia seguinte, já que isso geralmente consome muita energia. Também tente fazer as encomendas junto com parentes, amigos e vizinhos. Isso evitará mais gastos com entrega e viagens desnecessárias.
Pague suas contas
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Foto: 
Sxc.hu
A internet é capaz de encurtar distâncias e agilizar a vida dos mais atarefado, portanto aproveite! Faça transações financeiras online e poupe combustível, papel (de recibos, boletos e comprovantes) e reduza o volume de lixo.
Muitos bancos já oferecem serviços online. O cliente pode fazer consultas, transferências, pagamentos e outras movimentações financeiras sem precisar sair de casa. Os recibos e comprovantes são digitais e possuem os mesmos valores legais que os impressos, portanto, você só terá que imprimir se for necessário.
Ao deixar o carro em casa e evitar imprimir os documentos, você estará evitando lançar toneladas de gases poluentes na atmosfera e manterá milhões de árvore em pé. Por fim, essas transações são mais seguras, já o cliente não precisa ir até um banco e sair de lá com grandes quantias – atraindo ladrões e as famosas “saidinhas bancárias”.
Faça reuniões
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Foto: 
Andrew Scott
Sempre que puder, conte com a tecnologia à sua disposição, como o fax, o telefone e a internet, e resolva os problemas do trabalho sem sair do lugar. Um e-mail muitas vezes pode substituir um motoboy e um telefonema em viva-voz pode substituir uma reunião ao vivo.
Hoje em dia muitas empresas já adotaram as teleconferências e reuniões online em diversas partes do mundo. Por meio desses serviços, as empresas podem realizar reuniões, encontros com clientes, treinamentos, demonstrações e workshops por telefone ou pela internet, em vez de pessoalmente. Isso diminui os custos da empresa e evita o deslocamento dos participantes, seja por via aérea ou terrestre.
Seja voluntário
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Foto: Alec Couros
A rotina corrida e as preocupações cotidianas acabam sendo um empecilho na hora de ajudar. É por isso que uma nova modalidade de voluntariado ganha cada vez mais espaço no Brasil são os Voluntários Online. Adequando a contribuição das pessoas interessadas em ajudar às ações sociais, a prática tem a internet como principal ferramenta de mobilização.
A iniciativa, que surgiu nos Estados Unidos e ganhou logo adeptos no Canadá e na Europa, propõe o casamento solidário entre disponibilidade, área de interesse e ações sociais. Os voluntários online ou voluntários sem sair de casa têm atividades oportunizadas por diferentes organizações que cabem perfeitamente no seu dia a dia. Por isso, procure organizações como a Online Volunteering ou o Voluntários Online e saiba como participar.
Use guias de turismo online
Da próxima vez que for viajar, experimente troca o guia impresso por um online. Algumas ferramentas tecnológicas, como celular e GPS, podem ajudar a desbravar os melhores destinos turísticos sem precisar gastar papel nem tinta de impressora. Mesmo que você precise imprimir algumas folhas, certamente você usará uma quantidade bem menor de papel do que se comprasse um guia completo, já que ali tem informações sobre diversos locais, muitos dos quais você não passará nem por perto.
Nos guias online é possível obter todo o tipo de informação sobre o local a ser visitado, como dicas, hospedagem, roteiros, história e até previsão do tempo. Na internet é possível encontrar centenas de site sobre os mais diversos lugares com conteúdo completo e diversificado, é só procurar.
Leia livros eletrônicos
Uma boa maneira de ajudar a economizar papel, salvar milhares de árvores e evitar que livros velhos acabem no lixo é ler e-books. São livros digitalizados que podem ser visualizados ou baixados no seu computador. O conteúdo é o mesmo que o do livro tradicional, a única diferença é que não agride tanto o meio ambiente.
Se a tela do computador te incomodar durante a leitura, regule a iluminação para torná-la mais confortável. Hoje é possível encontrar inúmeras obras dos mais variados temas com download gratuito na internet. Você ainda pode montar ou incentivar a criação de uma biblioteca virtual no seu trabalho, escola ou faculdade.
Compre músicas
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Foto: Sxc.hu
Centenas de artistas e gravadoras disponibilizam álbuns completos na internet. Por isso, procure saber se seu cantor ou banda favorita já fazem parte desse grupo e compre as músicas online. Além de mais rápido e prático, isso evita todos os gastos com a produção, distribuição e descarte de CDs, capas, encartes, etc.
O processo é bastante simples, como uma compra comum na internet. Você ainda pode escolher entre comprar o álbum completo ou apenas as músicas preferidas. E nada de baixar músicas de forma irregular, lembre que pirataria é crime.
Prefira os catálogos telefônicos digitais
Todos os anos, as empresas de telefonia enviam para nossas casas as tradicionais listas telefônicas. Multiplique aquelas centenas de páginas por todas as unidades produzidas e você terá a noção de quanto papel é gasto para fazer um produto que nem usamos mais com tanta frequência.
Então, se for possível, prefira os catálogos telefônicos digitais. Essa é uma opção muito mais sustentável. Os mesmo serviços são oferecidos por telefone ou internet – e sem precisar derrubar nenhuma árvore para isso. Além do papel, as listas utilizam tintas e emitem gases poluentes durante a fabricação e transporte.
Evite os spams
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Foto: Sxc.hu
Sabe aqueles e-mails indesejáveis, mais conhecidos como spams, geralmente desprovidos de qualquer serventia e que, ainda por cima, superlotam sua caixa de entrada do correio eletrônico? Além de chatos, esses e-mails ainda prejudicam o meio ambiente. Uma pesquisa feita por uma empresa de softwares detectou que a circulação dessas mensagens consome cerca de 33 bilhões de kilowatts hora por ano, o suficiente para suprir 2,4 milhões de casas com energia elétrica no mesmo período.
Por isso, nunca envie esse tipo de mensagem para os seus contatos e sempre utilize um serviço antispam, que filtra os e-mais indesejados e pode economizar até 135 bilhões de kilowatts/hora por ano – o que teria o mesmo impacto ambiental de se retirar 13 milhões de carros das ruas anualmente.
Contribua com campanhas e mobilizações virtuais
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Foto: 
Sxc.hu
O ativismo virtual já deixou o plano das ideias e hoje representa um modelo estruturado de mobilização capaz de grandes feitos. Sites, blogs e redes sociais, como Facebook, YouTube, Flickr e Twitter, já são consideradas ferramentas capazes de mobilizar milhares de pessoas em todo o mundo – seja para aprovar leis como a Ficha Limpa, ou organizar moradores de uma comunidade para limpar as ruas, como aconteceu em Londres, após uma série de manifestações e tumultos em bairros da capital britânica.
Por isso, se informe sobre movimentos que estejam angariando apoio para ações em defesa do meio ambiente ou em prol de uma sociedade mais justa e participe! Assine as petições, divulgue nas redes sociais e apóie os movimentos.
Fonte: EcoD
Dez dicas de como usar a internet em prol da sustentabilidade
Dez dicas de como usar a internet em prol da sustentabilidade

Índice aponta empresas brasileiras que mais consomem energia renovável


A fabricante de lápis Faber Castell e a indústria de autopeças Autometal são as empresas que mais utilizam energia elétrica de fontes renováveis no Brasil, segundo a versão brasileira do índice Corporate Renewable Energy Index (Crex), elaborado pela empresa inglesa  Bloomberg New Energy Finance (Bnef), que desenvolve o ranking em nível mundial, anualmente.
Segundo informações do Valor Econômico, as fontes energéticas consideradas pelo ranking são as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), solar, eólica, biomassa (como cana-de-açúcar e madeira de reflorestamento) e biogás (oriundo dos resíduos sólidos).
A Faber Castell e a Autometal se destacaram, figurando em primeiro lugar entre as 19 empresas que entraram na lista. As duas companhias utilizaram 100% da energia que consumiram em 2011 de fontes renováveis alternativas. Mas, em termos absolutos, se considerado o volume de energia utilizado no processo de produção, se sobressaem a Vale, a Alcoa Alumínio, a Fibria Celulose, a Duratex e a Klabin. Cada uma dessas cinco empresas consumiu em um ano mais de 1 mil GWh de energia de fontes alternativas, o que as coloca em uma posição de peso também no cenário mundial.
A participação de fontes renováveis de produção de eletricidade expandiu-se em 2,5 pontos percentuais na matriz elétrica brasileira em 2011.
Do total consumido pela Vale em 2011, 7,5 mil MWh vieram de fontes renováveis, ou 52% do seu consumo, de acordo com o levantamento. Com esse resultado, a mineradora brasileira passa a fazer parte de uma elite global de empresas, figurando entre os cinco grupos que mais utilizam energia de fontes renováveis pelo índice Crex. A Vale possui quatro PCHs em Minas Gerais, com 58 MW instalados de potência, e está investindo em energia eólica e em combustível de palma.
“Essa é a primeira vez que incluímos empresas brasileiras em nosso índice”, afirmou ao Valor Maria Gabriela da Rocha Oliveira, diretora para América Latina da Bnef. As empresas no Brasil, segundo ela, mostram um bom desempenho em relação aos seus pares no mundo. Essa vantagem se explica pela riqueza de recursos hídricos do país, além das condições privilegiadas para a geração de energia eólica, solar e de biomassa, como cana e madeira de reflorestamento.
A participação de fontes renováveis de produção de eletricidade expandiu-se em 2,5 pontos percentuais na matriz elétrica brasileira em 2011, alcançando 89%. Mas o número inclui grandes hidrelétricas, que são excluídas do índice Crex.
Outros dados relevantes do levantamento:
  • Segundo Maria Gabriela, as PCHs são a principal fonte de energia alternativa no Brasil, respondendo por 49% do total consumido pelas empresas em 2011. Mas esse percentual já foi maior no passado, alcançando 53% em 2009.
  • Muitas companhias utilizam no Brasil um “blend” (mistura) de energias renováveis, que incluem diversas fontes, entre elas eólicas. Essa modalidade, que respondia por 20% do consumo, cresceu para 25% em 2011.
  • A energia de biomassa manteve sua participação de 21% na matriz de fontes renováveis no Brasil entre 2009 e 2011.
  • Houve aumento na contratação de energia renovável no mercado livre brasileiro, que já respondeu em 2011 por 10% do total consumido pelas empresas.
  • O investimento direto feito pelas próprias companhias em projetos de geração, como PCHs e parques eólicos, ainda é, de longe a principal fonte de abastecimento, atendendo 90% do consumo de energias alternativas das companhias.
Fonte: EcoD
Obra da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Queixada nos municípios de Itarumã e Aporé, em Goiás.  Foto:minplanpac
Obra da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Queixada nos municípios de Itarumã e Aporé, em Goiás.
Foto:minplanpac

Já pensou em comer um lápis? Agora dá


Quem gosta de usar lápis sabe que a certa altura eles ficam no cotoco, difícil até de segurar entre os dedos. Imagine se você pudesse se desfazer do pedacinho restante simplesmente enterrando-o no canteiro mais próximo e, tempos depois, encontrasse um broto de coentro, uma flor ou um vegetal?
É exatamente isso o que a empresa Democratech fez ao lançar no mercado americano o Sprout, um lápis com cápsulas de semente variadas, acopladas no lugar da borracha, que pode ser plantado. O resultado são brotos de tomate, coentro, salsa, alecrim e até flores, como margaridas, dependendo da escolha do freguês.
A ideia nasceu do curso de design de produto Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em Cambridge, Estados Unidos, onde os alunos foram convidados a criar um produto sustentável para o escritório do futuro.
Ao inserir as sementes no corpo em madeira de cedro convencional, seus criadores aproveitaram para tornar o lápis também atrativos para as crianças, na esperança de estimulá-las a praticar a reciclagem através da jardinagem.
Fonte: EcoD
Já pensou em comer um lápis? Agora dá
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