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07/02/2012

Brasileiros e alemães se aproximam em luta pelo fim das usinas nucleares

No próximo dia 11 de março, protestos em todo o mundo marcarão o aniversário de um ano do acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão, que expôs mais de 300 pessoas a um alto grau de radiação. O número de mortes por câncer no futuro pode chegar a mil neste que foi o maior desastre nuclear desde Chenobyl, em 1986. Em junho, durante a Rio+20, a questão da energia nuclear estará novamente em pauta. A 150 quilômetros de distância de Angra 1 e Angra 2 e do terreno onde está sendo feita a terraplanagem de Angra 3, o programa nuclear brasileiro também será alvo de manifestações dos movimentos sociais. Neste contexto, o Fórum Social Temático em Porto Alegre, que acontece até domingo, não podia ficar fora do roteiro das articulações nacionais e internacionais, que visam não apenas paralisar a construção de Angra 3 como acabar com a produção de energia nuclear no país.

Num debate realizado na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, promovido pela Coalizão contra Usinas Nucleares e pela Articulação Antinuclear do Brasil, a lista exposta com as razões para se rejeitar esta forma de produção energética no país foi extensa, começando pelos riscos de acidentes. Os ambientalistas enfatizaram que não existe a possibilidade de risco zero na produção da energia nuclear.

“Antes de Fukushima, muitos defensores da energia nuclear afirmavam isso. Mas todos sabem que há o efeito da imprevisibilidade. No Japão, apesar de toda a tecnologia usada na segurança, o acidente foi catastrófico do ponto de vista social e ambiental”, avaliou Heitor Scalambrini, membro do Movimento Ecossocialista e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco.

No estado, a cidade de Itacuruba, a 750 km do Recife, na fronteira com a Bahia, seria a principal opção para a construção de uma nova usina nuclear no país. Além de Angra 3, há uma previsão de colocar em operação outras quatros centrais em território nacional: duas no nordeste e duas no sudeste, a um custo de R$ 10 bilhões cada uma. Itacuruba teria sido escolhida por ficar às margens da lago de Itaparica, ao longo do Rio São Francisco, por ter solo estável e estar entre os três maiores mercados consumidores de energia elétrica da região: Salvador, Recife e o complexo portuário de Suape. A Eletronuclear fala de seis reatores, a serem instalados num complexo de 6 megawatts de produção.

Outra razão contrária à ampliação do programa nuclear brasileiro seria seu próprio custo. Depois de Fukushima, em função das novas regras de segurança que estão sendo definidas em âmbito internacional, o custo da produção da eletricidade via esta tecnologia, que já é caro – em média R$ 180 megawatt/hora –, deve aumentar, reforçando a necessidade dos subsídios já frequentes por parte dos Estados.

“É um custo alto, que não se justifica, até porque esta tecnologia contribui com apenas 2% da geração de energia elétrica no Brasil, facilmente realizáveis através da melhoria das hidrelétricas. Num país com 8 mil quilômetros de litoral, de clima tropical na sua maioria e com enormes potenciais para energias renováveis, não se deve investir em energia nuclear”, acredita Dawid Bartelt, da fundação alemã Heinrich Boll.

O governo da Alemanha está oferecendo a garantia financeira para os investimentos em Angra 3, que está sendo construída com tecnologia daquele país. A garantia financeira é uma peça decisiva para a consolidação da obra. Depois do acidente de Fukushima, no entanto, o governo alemão decidiu desativar 8 das 17 usinas nucleares em funcionamento no país; o restante será paralisado até 2022. “É um escândalo político. Enquanto acha que esta tecnologia é perigosa demais para a população alemã, o governo acredita que pode incentivá-la para a população brasileira. Está exportando uma tecnologia que já foi banida ali para outros países”, criticou Bartelt.

Na semana do dia 27 de fevereiro, o Parlamento alemão tomará a decisão se autoriza ou não o governo a conceder a garantia a Angra 3. Articuladas com organizações alemãs, as entidades brasileiras estão pressionando os congressistas europeus.

Já para o Parlamento brasileiro, foi lançada uma proposta popular de emenda constitucional, que pretende coletar pelo menos um milhão de assinaturas, para proibir, na Constituição Federal, que o país tenha usinas nucleares.

“Há um total desconhecimento da população brasileira em relação ao que está acontecendo. E uma própria ignorância dos governantes sobre este risco. Desde os prefeitos que disputam para sua cidade ser sede de usina ou para vencer licitações para receber lixo nuclear, tudo em busca de um troquinho”, disse Chico Whitaker, da Coalizão contra Usinas Nucleares. “Herdamos dos militares a ideia de que, para ser potência mundial e entrar no Conselho de Segurança da ONU, temos que ter um programa nuclear. É uma ignorância sobre o legado que deixaremos para as gerações futuras. Basta lembrar do que aconteceu com o Césio-137 em Goiânia”, alertou.

20 mil anos de lixo

Para além dos riscos de vazamento e contaminação durante a operação das usinas, a energia nuclear produz um lixo altamente radioativo, que demora 20 mil anos para esgotar seu potencial de radiação. Uma usina com vida útil de 30 anos, por exemplo, geraria mais de mil toneladas de lixo radioativo. A Finlândia é um dos poucos países do mundo que desenvolveu uma solução final para o armazenamento do lixo atômico. Em Angra, segundo os especialistas presentes no Fórum Social Temático, o armazenamento se dá em piscinas a céu aberto.

O risco, de fato, é enorme. Em 1987, uma pedra de apenas 19g de Césio-137 foi responsável pela contaminação de pelo menos 1.600 pessoas em Goiânia. A cápsula, exposta num depósito de material reciclável em uma máquina antiga de radioterapia, foi retirada por alguém que desconhecia a propriedade do elemento e que acabou, involuntariamente, contaminando todos que com ela entraram em contato. Odesson Alves, Presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, é irmão da pessoa que encontrou a pedra.

“Meu irmão achou a pedra e queria fazer um anel para esposa. Me mostrou o material, eu o toquei por alguns segundos e isso bastou para que 40 pessoas da nossa família fossem contaminadas. As autoridades não sabiam como gerir o acidente e todos que tiveram contato direto e indireto com o material foram atingidos. A partir daí começou nosso inferno. Tive que ficar mais de quatro meses em quarentena, distante de cinco metro das pessoas. Minha mulher teve caroços no corpo todo. A população queria nos apedrejar, nos acusavam de ter destruído a cidade, meus filhos tiveram que mudar de escola. Mas quem pegou o material também era vítima do processo, das autoridades da Comissão de Energia Nuclear, que deveria ter transportado e guardado o material com segurança”, afirma Odesson Alves.

Mesmo tendo feito 10 sessões de descontaminação, ele perdeu parte do dedo indicador da mão direita, tem uma deficiência na mão esquerda, seu nível de plaquetas opera sempre no mínimo, sente arrepio nos ossos e, muitas vezes, adquire várias doenças ao mesmo tempo, por ter o sistema imunológico deficiente. “Tem pessoas que tem feridas abertas no corpo até hoje, 25 anos depois”, contou. O acidente em Goiânia também gerou 6 mil toneladas de rejeitos radioativos.

Os riscos no entanto, começam muito antes, alertaram as organizações. Em Caetité, na Bahia, onde existe uma mina de extração de urânio – a primeira etapa da cadeia da produção da energia nuclear –, os problemas gerados na população são enormes. Em agosto, a Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais divulgou o relatório da missão realizada na cidade para levantar as violações de direitos ocorridas no ciclo nuclear. Os documentos são reveladores do descaso do poder público com a vida dos moradores da região.

“Tudo começa com a explosão de dinamite na rocha, que gera um gás radônio, que não tem cheiro nem cor e vai ser inalado pelas pessoas, que sequer sabem que isso está acontecendo. Este gás contamina a água, o solo, os produtos agrícolas, os animais, as pessoas. Ninguém sabe a extensão das contaminações bacia hidrográfica abaixo. Até a água que a população bebia foi considerada contaminada”, contou Renato Cunha, do Grupo Ambientalista da Bahia (GAMBA), que reivindica o fim da exploração do urânio na cidade. Desde o ano 2000, quando a mina começou a funcionar, a incidência de câncer na população não para de crescer.

“Queremos que o programa nuclear brasileiro seja desativado. Mas não é só fechar as usinas. Temos que acabar com a exploração do minério, instalar um sistema de monitoramento independente dos riscos da população e melhorar o atendimento à saúde na região. Desde sempre soubemos que é melhor deixar o urânio embaixo da terra”, disse Cunha.
Fonte: Instituto Carbono Brasil

06/02/2012

ONU lança sistema de informações para prevenção de desastres e segurança alimentar

Com foco na redução do risco de desastres, gestão da água, segurança alimentar e questões sanitárias, as Nações Unidas lançaram esta semana o ‘Sistema de Informação’ da Organização Meteorológica Mundial (OMM), facilitando o acesso a observações e produtos meteorológicos.
Com a melhoria e expansão da transmissão de informações sobre o tempo, clima e água, a OMM busca reduzir custos para os serviços nacionais de meteorologia e hidrologia e maximizar o aproveitamento dos avanços no campo das tecnologias para comunicação. Além disso, o sistema integrará informações de centrais de dados nacionais e globais.
“O sistema é o pilar da nossa estratégia para a gestão e circulação das informações sobre tempo, clima e água no século 21″, comemorou Michel Jarraud, secretário geral da OMM.
Algo interessante é que, pela primeira vez, tudo isto estará disponível gratuitamente também para usuários que não fazem parte da comunidade meteorológica.
A ferramenta dá prosseguimento às atividades do Sistema Global de Telecomunicação da OMM, que tem sido usado nos últimos 40 anos para troca de informações meteorológicas, observações e previsões cotidianas do tempo, alertas de ciclones e tsunamis, entre outras aplicações.
 
Fonte: Instituto Carbono Brasil
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Amazônia perdeu 207 km² de floresta no último bimestre de 2011

A floresta amazônica perdeu 207,59 km² de cobertura vegetal em novembro e dezembro de 2011, de acordo com novos dados divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
O Pará foi recordista no desmatamento, com 58,56 km², seguido pelo Mato Grosso, com 53,81 km².
Os números são do Deter, o sistema de monitoramento em tempo real do Inpe.
Eles representam um salto de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, o Inpe diz que essa comparação não é correta.
Segundo o instituto, a grande quantidade de nuvens fez com que 44% das observações da Amazônia pelo Deter fossem inviabilizadas.
Entre novembro e abril, acontece a chamada a época de chuvas na Amazônia, que torna mais difícil a observação por satélites devido à quantidade de nuvens que cobrem a região.
Fonte: Folha.com

Firmas não conseguem cortar emissões de fornecedores


Pesquisa do Carbon Disclosure Project indica que apesar de estarem tentando reduzir as emissões de carbono de suas cadeias de suprimento, o índice de corte de CO2 dos fornecedores ainda está longe de ser satisfatório
Com a crescente preocupação com as mudanças climáticas e com as causas ambientais, cada vez mais empresas têm procurado práticas sustentáveis, como a redução de CO2, para gerirem seus negócios e se adequarem ao que os consumidores mais conscientes esperam delas.Mas será que essas iniciativas atingem toda a cadeia de suprimento das firmas?
Segundo um novo estudo do Carbon Disclosure Project (CDP), os fornecedores de empresas com planos de sustentabilidade estão investindo cada vez mais na redução de suas emissões, porém, o número ainda está longe ainda de ser satisfatório e pode resultar na perda de contratos.
De acordo com a análise, desenvolvida pela CDP e pela consultoria Accenture, enquanto 43% das 49 firmas multinacionais consultadas – entre elas a L´Oréal, a PepsiCo, a Philips e o Walmart – têm conseguido reduzir suas emissões anualmente, apenas 28% de seus fornecedores, dos 1864 entrevistados, têm feito o mesmo.
E isso apesar de 39% das empresas perceberem economias financeiras com seus planos de diminuição de emissões e 34,5% terem se beneficiado com novos fluxos de receita por causa da redução de emissões de seus fornecedores.
Enquanto isso, 30% das companhias declararam que as mudanças climáticas já afetaram suas cadeias de suprimento pelo menos no último ano, e 53% dos fornecedores responderam que o fenômeno deve causar ou já está causando aumento nos custos operacionais. Além disso, apenas 24% das empresas ajudam seus fornecedores a quantificar o retorno de investimentos em baixo carbono.
No entanto, o relatório mostra que a situação está melhorando. Em relação às firmas que têm estratégias para combater as mudanças climáticas, por exemplo, 90% incluíram essas orientações em seus contratos no último ano, contra 79% que o fizeram em 2010. Já 67% das companhias consultadas afirmaram que incorporaram a gestão de carbono em suas políticas de aquisição.
Além disso, em 2011, 39% das empresas entrevistadas disseram que iriam cancelar os contratos com fornecedores que não conseguissem cumprir os critérios ambientais formais dentro de cinco anos, contra 17% que responderam o mesmo em 2009.
“As companhias que criam um crescimento sustentável e rentável através de cadeias de suprimentos eficientes ficarão mais bem posicionadas em longo prazo, à medida que fazem cada vez mais das reduções de emissões de carbono não apenas o preço de entrada no mercado, mas um ponto de diferenciação competitiva”, observou Gary Hanifan, líder de sustentabilidade global para cadeias de suprimentos da Accenture.
“À medida que as companhias examinam e modificam suas cadeias de suprimentos para fazê-las mais flexíveis e capazes de resistir a mudanças e efeitos de desastres naturais, elas precisam considerar também como suas cadeias de suprimento resistem ao escrutínio ambiental”, acrescentou Hanifan.
O documento revela que no último ano, 63% das empresas afirmaram estar investindo na formação de seus funcionários para a gestão de carbono nas cadeias de suprimentos, um grande aumento em relação aos números de 2010 (41%) e 2009 (26%).
O relatório mostra também que, em 2011, 62% das empresas criaram políticas de incentivos para os fornecedores que tiveram estratégias de redução de emissões efetivas, contra 28% que fizeram isso em 2010 e 19% em 2009.
Outros dados do estudo apontam ainda que 50% das companhias têm ou estão desenvolvendo obrigações contratuais para fornecedores que incluem informações sobre a gestão de emissões de carbono.
Esse foi o primeiro ano que a CDP pontuou os fornecedores por seu desempenho em relação às emissões de CO2 e divulgou essa informação. Os pontos refletem a transparência das estratégias de mudanças climáticas dos fornecedores e suas ações para reduzir as emissões de carbono.
Os resultados indicam que os fornecedores norte-americanos tendem a ser substituídos quando uma empresa quer capitalizar as oportunidades de mudanças climáticas. Os fornecedores asiáticos e europeus marcaram, respectivamente, 52 e 53 pontos de 100, e os norte-americanos fizeram apenas 45 pontos pela mesma classificação.
No entanto, Frances Way, diretora de programa do CDP, argumenta que as mudanças que estão ocorrendo agora nas cadeias de suprimento só poderão ser sentidas em alguns anos, razão pela qual os resultados ainda não se fazer sentir nas avaliações.
“As companhias estão evoluindo a maneira que operam para capitalizar melhor as oportunidades das cadeias de suprimento de carbono eficientes. Uma mudança tão grande nos modelos de aquisição das companhias é encorajadora, mas, uma vez que essas tendências só estão emergindo agora, estamos ainda para ver um impacto transformador nas emissões dos fornecedores”, concluiu Frances.
Fonte: Instituto Carbono Brasil

Praias brasileiras concorrem ao certificado Bandeira Azul

Três praias brasileiras estão concorrendo à certificação Bandeira Azul, um dos mais importantes selos socioambientais do mundo. São localidades litorâneas do Rio de Janeiro e de São Paulo, que entram na fase piloto do programa em fevereiro. O objetivo é tentar compor um grupo seleto de praias e marinas ambientalmente sustentáveis.
As candidatas à certificação são a praia do Félix (Ubatuba/ SP), a Prainha (Rio de Janeiro) e a praia de Itaúna (Saquarema/ RJ). Em fase de avaliação, encontram-se, no momento, as marinas Piratas e Verolme, ambas em Angra dos Reis (RJ).
Atualmente, a Bandeira Azul tremula na Praia do Tombo (Guarujá/ SP) e na marina Costabella (Angra dos Reis/ RJ). As duas tiveram o certificado renovado em 2011 e são as únicas brasileiras na lista de centenas de locais e empreendimentos certificados pelo mundo.
Bandeira Azul
O Programa Bandeira Azul é um selo de caráter socioambiental criado pela Foundation for Environmental Education (FEE), instituição internacional com sede em Copenhagen, na Dinamarca. No Brasil, o Operador Nacional do Programa é o Instituto Ambiental Ratones (IAR).
As praias e marinas inscritas no programa comprometem-se a cumprir os critérios distribuídos nas seguintes categorias: educação e informação ambiental, qualidade da água, segurança e gestão ambiental. As avaliações ocorrem em três instâncias: operador nacional do programa, júri nacional e júri internacional.
* Com informações do Ministério do Turismo.
** Publicado originalmente no site EcoD.
Fonte: Instituto Carbono Brasil

Queda dos preços solares é boa para o clima, mas ruim para empresas

Há um lado positivo na queda dos preços dos painéis solares, embora alguns fabricantes dos EUA e da Alemanha, que dependiam muito de subsídios para a energia verde, tenham falido – os custos da energia solar caíram mais rápido do que qualquer um pensava ser possível.
A queda nos preços de componentes fotovoltaicos, provocada por economias de escala e a competição acirrada da China, tornou a energia solar quase tão barata quanto fontes convencionais na rede de eletricidade da Alemanha.
O crescimento na Alemanha, o maior mercado fotovoltaico do mundo, com 24 mil megawatts de capacidade instalada, também ajudou a reduzir os custos no mundo todo, tornando a energia solar uma alternativa mais viável e acessível para combustíveis fósseis em locais que vão da Índia e do Oriente Médio à África e à América do Norte.
A inesperadamente rápida queda nos preços solares globais, no entanto, atingiu fortemente alguns fabricantes de equipamentos – produtores como a Solyndra nos Estados Unidos e a Solon na Alemanha, que não conseguiram manter o ritmo e acabaram na proteção contra a falência.
O fechamento da Solyndra, que havia tomado US$ 535 milhões em empréstimos do governo dos EUA, é às vezes citado por céticos como uma evidência dos perigos associados ao apoio à indústria através de incentivos. Eles argumentam que os subsídios desperdiçam o dinheiro público.
“Ninguém está entendendo a verdadeira história e é incrível como algumas pessoas são estúpidas”, disse Jeremy Rifkin, assessor do governo alemão e da União Europeia para mudanças climáticas e segurança energética. “É uma coisa absolutamente positiva que os preços solares estejam caindo mais rapidamente do que qualquer um pensava que eles pudessem cair.”
“Na verdade, é um grande sucesso”, afirmou o economista dos EUA à Reuters. “Os que criticam a energia solar por isso estão sendo ignorantes ou dissimulados. É um processo de filtragem similar ao que os setores de computação e as comunicações passaram. Companhias que não podem ficar à frente afundam.”
ENERGIA SOLAR BARATA
A Alemanha é o maior mercado para energia solar apesar da nebulosidade e da latitude setentrional. Um quadro jurídico forte que obriga as empresas a comprar energia solar a taxas acima do mercado anulou essas desvantagens, levando a Alemanha ao primeiro lugar do mundo em teste de energia fotovoltaica.
Ainda devido à queda dos preços dos componentes, os preços da energia solar na Alemanha foram reduzidos à metade nos últimos cinco anos e a energia solar gera agora eletricidade em níveis apenas alguns centavos acima do que os consumidores pagam. Os subsídios desaparecerão inteiramente dentro de poucos anos, declarou a associação solar alemã BSW, quando a energia solar será tão barata quanto os combustíveis fósseis convencionais.
A Alemanha acrescentou 14 mil megawatts de capacidade só nos últimos dois anos e agora tem 24 mil megawatts no total – eletricidade verde o suficiente para atingir cerca de 4% da demanda de energia do país. Essa parcela deve aumentar para 10% até 2020. A Alemanha agora tem quase dez vezes mais capacidade instalada do que os Estados Unidos.
A ‘tarifa feed-in’ (FIT) imposta pelo governo da Alemanha é o motor para o crescimento. A FIT é a taxa que garante que as empresas são obrigadas a pagar aos produtores de energia solar por um período de 20 anos. Ela caiu para 24 centavos de euro por kWh para novas usinas em 2012, dos 57 centavos em 2004. Desde 2010, cortes semestrais nos incentivos aumentaram, reduzindo a FIT dos 43 centavos de então.
“O crescimento da energia solar na Alemanha nos últimos anos tem sido simplesmente incrível”, declarou Martin Jaenicke, diretor de pesquisa política ambiental da Universidade Livre de Berlim, citando que a energia solar é a fonte de energia mais abundante no mundo.
“As pessoas às vezes dizem que a energia solar é cara. Mas uma vez que o equipamento é pago, é uma fonte inacreditavelmente barata de energia. Idealmente, os subsídios eventualmente eliminarão a si próprios e isso é exatamente o que está acontecendo na Alemanha.”
Ainda assim, a energia solar se mantém uma fonte relativamente cara de energia mesmo na Alemanha, onde os consumidores são forçados a pagar um custo adicional de sete bilhões de euros anualmente em suas contas de eletricidade para pagar pelas taxas acima do mercado dos produtores de energia solar.
Os incentivos pagam os custos dos um milhão de painéis de energia instalados na última década. O governo alemão, que escreveu o Ato de Energia Renovável em 2000, tinha ambições mais modestas. Ele esperava ter 100 mil painéis de energia.
“É importante que a eletricidade permaneça acessível”, afirmou o ministro da economia, Philip Roesler, que argumenta que novas instalações deveriam ser limitadas a mil MW por ano. “Precisamos combater as causas do aumento de custos, e elas são acima tudo a energia fotovoltaica.”
Tom Mayer, economista do Deutsche Bank, declarou que era razoável apoiar o setor antes, mas que agora é “a hora” de cortar os subsídios em 30 a 40%, com os preços caindo para cerca de 15 centavos por kWh – 8 centavos abaixo do preço de venda.
“Agora que a tecnologia está madura, subsídios altos não são mais necessários”, disse Mayer em uma nota de pesquisa. Mesmo se algumas firmas falirem, ele afirmou: “Os principais produtores do mercado mundial podem lidar com preços [menores].”
SOBREVIVÊNCIA DOS MAIS ADAPTADOS
“É notável quão rápido os preços fotovoltaicos caíram em direção a uma paridade de rede”, declarou Peter Ahmels, diretor de energias renováveis da Associação Alemã de Ajuda Ambiental (DUH). “A Alemanha atingirá a paridade de energia de rede no próximo ano – três anos mais rápido do que o pensado.”
À medida que a energia solar ganhava popularidade na Alemanha e os preços de mercado para os componentes caíam, o governo reagiu acelerando os cortes na FIT e agora está pensando em cortar os incentivos mais rapidamente para menos de 20 centavos até o final do ano.
Claudia Kemfert, especialista em energia do centro de pesquisa econômica DIW, disse que as economias de escala do crescimento da Alemanha e inovações de tecnologia estão por trás da queda nos preços solares. Mas ela concordou que a FIT da Alemanha deve cair mais rápido.
“A competição está ficando mais difícil o tempo todo”, afirmou ela. “É por isso que algumas companhias solares alemãs podem não sobreviver.”
A queda dos preços da energia solar atingiu os ganhos e as ações de muitas firmas solares. Juntamente com a Solon e a Solyndra, a Solar Millennium, a Evergreen Solar e a Spectra Watt chegaram à insolvência.
Rifkin, economista dos EUA, declarou que mais firmas que não puderem acompanhar esse processo falirão.
“Isso é perturbador, mas é um sucesso e está andando muito rapidamente”, disse ele. “A Alemanha está liderando o caminho. Os preços solares continuarão caindo. A paridade de rede vai ser alcançada em muitos países entre 2012 e 2015 e isso é uma coisa boa. Não acho que o mundo precisará de mais subsídios para a energia solar até 2020.”
Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original (inglês)
Fonte: Instituto Carbono Brasil